Vamos pro M?

Vamos pro M?

Já parou pra pensar que a maior dúvida ou medo sobre “passar” a maquina para o modo manual é não saber como? Então, normalmente, o medo é que as fotos não fiquem boas e ao invés de melhorar, piorem, ou até mais do que isso, não apareça nada... aí a gente coloca no automático mesmo e fica com a ideia de que o celular “faz” fotos melhor do que essa máquina gigante e cara que a gente comprou.

É verdade, o automático vai fazer fotos melhores do que a gente, se usarmos o modo manual sem saber como ele funciona.

O principal aqui é entender então como funciona uma máquina fotográfica, algumas relações básicas, nada muito complicado, porque sabe de uma coisa? O celular e a maquina fotográfica não diferem muito um do outro, o que muda é quem está operando, um é o computador o outro você.

Todo equipamento fotográfico parte do mesmo principio, uma “caixa” escura com um material sensível à luz lá dentro (no caso da câmera digital, o sensor), uma entrada pra luz que a gente queira e principalmente (aqui vem o segredo!) um anteparo que vai determinar durante quanto tempo eu vou precisar deixar esse material exposto à luz para que ele reaja da maneira esperada. Sempre foi assim e sempre vai ser (sempre até alguém inventar alguma coisa nova, que nos últimos quase 200 anos ninguém fez...), basicamente então seu celular de ultima geração segue as mesmas regras e princípios físicos e óticos que aquela maquina do “seu madruga”.

Como a câmera funciona em modo automático?

Quando você arrasta o dedo pra cima e pra baixo na imagem da câmera do seu celular, você está aumentando o valor da exposição, super expondo (clarear) ou sub expondo (escurecer) o sensor. Clarear ou escurecer uma foto nada mais é do que modificar uma imagem para o seu gosto, e esse já é um controle importante, mas geralmente o “médio” funciona bem, e por isso mesmo o “computador”, por padrão, vai tentar deixar aquela imagem dentro deste mediano.

E o que ele vai fazer para que isso aconteça? Tudo. Desde aumentar a sensibilidade à luz, deixar o sensor mais tempo exposto, até deixar a entrada de luz o mais aberta possível... E “tudo” é muita coisa pra deixar nas mãos de outra pessoa, concorda?

1 - Sobre a sensibilidade à luz

Primeiro então vem a sensibilidade do material, (isso evoluiu pacas) que na nossa maquina vai atender pelo nome de “ISO". O ISO nada mais é que um padrão, um número que vai determinar quanto tempo esse sensor precisa reagir com a luz para que ele sofra uma mudança “esperada”.

Quanto mais ISO a maquina usar, mais ruído vai gerar na imagem. Sabe aquelas manchas e grãos que aparecem nas fotos que você faz a noite? Então, é o celular jogando o ISO lá em cima, e pior, geralmente em um sensor bem pequeno, o que por si só já gera bastante ruído (aqui uma vantagem das câmeras, normalmente nelas os sensores são muito maiores, o que facilita a captação de luz, gerando menos ruído. Mesmo com número ISO iguais, uma máquina com sensor maior terá menos ruído que um celular com sensor pequeno).

A ideia é ter um ISO o mais baixo possível certo? Nem sempre, tudo vai depender dos outros dois fatores, o tamanho da entrada de luz e o tempo que vai ser necessário o sensor ficar exposto para a foto “acontecer”. E essas duas regulagens são, na minha opinião, as duas principais escolhas que você precisa dominar agora. São elas que vão criar a imagem conforme você gostaria, principalmente nos “efeitos” que a maquina fotográfica nos permite.

2 - A entrada de luz

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Robert De Niro por Martin schoeller

O tamanho da entrada de luz, o número “F”, o quanto a lente é “clara”, o tamanho do buraco para passagem de luz... um monte de termos para diafragma

Esse domínio é muito legal de se ganhar porque é ele quem vai permitir você deixar uma foto bem nítida, desde o primeiro plano até o fim da cena ou ainda focar o primeiro plano e “desfocar” o segundo. Claro que existem outras variáveis... distância do objeto (quanto mais perto mais desfocado o segundo plano) e o tipo de lente (quanto mais “tele” uma lente mais desfocado o segundo plano vai ficar), mas, de ponto de saída, funciona assim: quanto maior a entrada de luz mais “desfocado” vai ficar o segundo plano.

Geralmente essas fotos que a gente vê de retratos desfocados no segundo plano não são necessariamente conseguidas por causa da maquina, mas sim por causa da lente que tem uma entrada de luz grande.

Rapidamente vai uma relação aqui: os números F menores correspondem à entrada de luz maior e vice-versa. Em algum lugar da sua lente está escrito algo como 1:3.5-5.6 ou 1:1.8, esse é o maior tamanho que sua lente tem de buraco. Uma lente de kit (que geralmente vem com as câmeras), normalmente a 18-55mm, tem F 3.5 em 18mm e F 5.6 em 55mm, sabe o que isso quer dizer? Que em 55mm a entrada da sua lente tem aproximadamente 1cm.
Uma 50mm F 1.8 tem aproximadamente 2,5cm de entrada de luz. Exemplo:

Pego a distância focal da lente “50mm” e divido pelo valor de F que é 1.8 = 27,7mm de entrada de luz.

Pronto, agora você já sabe por que lentes com numero F menores são mais caras. Elas entram mais luz, possuem mais vidro, mais motor, mais desfoque.

 3 - Durante quanto tempo eu permito que entre luz pra dentro da câmera?
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Dali Atomicus por Philippe Halsman


Por fim vem a velocidade, o tempo que, dependendo do diafragma e da sensibilidade do sensor, a foto vai precisar para “acontecer”. Esse ponto é muito importante, é por causa dele que uma foto vai sair tremida ou não, e isso é uma escolha também!

Basicamente, quanto mais rápido menos tremida.

O tempo na fotografia é dado em segundos, mas para uma foto não tremer com a maquina na mão (pelo simples movimento de estar vivo e respirando), a gente vai ter que trabalhar com frações de segundos. Uma margem de segurança legal para se fazer um retrato por exemplo é 1/60 segundos (pensando em um retrato de uma pessoa tranquila posando para você, agora se for uma pessoa gesticulando, se mexendo, gritando, ai melhor aumentar a velocidade, tipo 1/125...), a verdade é que não existem muitas receitas de bolo, a velocidade mínima para se congelar uma imagem varia pela velocidade do que você esta fotografando, mas esse 1/60 já é uma boa margem de segurança pra você se garantir...

4 - Fotometrando

Fotômetro: O valor de exposição ou exposure value (abrevia-se EV), é o ponto de partida para se medir a luz, começando aqui em EV 0. Quando o seu valor de exposição atinge o 0, é o momento em que o material foto sensível fica médio, quase que como no automático da câmera, mas aqui com os seus controles e os efeitos que você quer.

Quando você “clareia” ou “escurece” uma imagem, no celular por exemplo, o que era pra ser médio fica claro ou escuro, ou até branco ou preto.

 

5 - Juntando tudo:

Primeiro escolha um ISO, o menor que sua maquina tem (100?). Vamos colocar na maior entrada de luz que for possível (F5,6? f1.8?) pronto agora é só achar a velocidade, e pra isso basta você apontar a maquina para o que for fotografar.

No seu visor vai aparecer uma escala, uma régua ,o fotômetro, que vai dizer qual o EV que, usando esses dois parâmetros, a sua maquina está. Se o indicador do fotômetro estiver pro lado do sinal de menos, falta luz, se estiver pro lado do sinal de mais, está sobrando luz.

Agora diminua a velocidade ou aumente conforme a necessidade, ponteiro em é velocidade mais lenta, ponteiro em + é velocidade mais rápida. No momento em que o ponteiro parar no meio (não se preocupe se ele não ficar paradinho, perto do meio já está legal por enquanto) você está em EV 0, pode fazer a foto desde que a velocidade que foi preciso deixar para fotografar não esteja abaixo daquele 1/60 (margem de segurança, lembra?) que falamos anteriormente.

Se estiver menos que 1/60 dobre a sensibilidade do sensor(ISO 200?). Seu ponteiro pulou pra cima, dobre a velocidade anterior, ficou no meio? Ainda não? Dobre de novo o ISO (400?) e a velocidade. Bateu no 1/60 e no EV 0? Agora você pode fotografar.

Pronto basicamente você acabou de fazer sua primeira fotometria. Escolheu dois parâmetros, usou sua maquina para determinar o terceiro, pensou se estava boa a escolha que precisou para que acontecesse a foto e compensou caso não.

Obvio, aqui a gente foi bem simples nas escolhas, fechar o diafragma vai impactar na nitidez e na qualidade da foto também, você pode escolher uma velocidade e usar o fotômetro pra achar um diafragma, ou ainda travar os dois e descobrir qual o iso (sensibilidade) necessária... cada escolha um efeito. São infinitas escolhas, como para fotos de longas exposições são necessárias velocidades mais baixas do que a de segurança, com o intuito de borrar mesmo... para fotos com nitidez em toda a cena escolha em diafragma mais fechado (numero f maior), e para fotos com nitidez em um plano e sem nitidez nos demais, use diafragmas abertos (numero f menor).

Tudo também depende da lente, da distância... mas acho que já da pra ter uma ideia que é simples pegar o controle da sua maquina. Três parâmetros, uma escolha e uma compensação. Igualzinho a maquina do seu madruga, que convenhamos é muito mais desafiadora que o celular que fica ai pensando pela gente. Infinitas possibilidades, infinitas desafios ;)

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