Mirrorless: será que chegou a hora de encostar sua câmera DSLR?

Mirrorless: será que chegou a hora de encostar sua câmera DSLR?

Elas são leves. Parecem menores. Muitas vezes têm aquele design retro, que lembra uma câmera vintage, quase sexy. São mais em conta (não.... Espera: têm o mesmo preço ou são mais caras). Mas elas vêm mexendo com o mercado de câmeras e provocado calorosas discussões no meio fotógrafo, de blogueiros e vlogeiros de fotografia à mesas e balcões do Estadão segurando um sanduíche de pernil.

Afinal, qual é a das câmeras Mirrorless?

Há anos, um tipo de câmera se consolidou no mercado fotográfico atendendo tanto aos profissionais quanto aos entusiastas: a DSLR (Digital Single Lens Reflex).

Foi uma combinação feliz de tamanho x qualidade x durabilidade. De uns tempos pra cá, os fabricantes tentam colocar os mesmos bons sensores (APS-C e agora Full-Frame) em câmeras menores. Uma das soluções encontradas foi óbvia: “E se nos livramos do espelho, do pentaprisma e liberamos o espaço que eles ocupam? ”

Nasceram as mirrorless.

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O mesmo tamanho de sensor, mas em propostas diferentes de corpo (e consequentemente, lentes)

Tentando não tomar muito partido, vamos mostrar no frigir dos ovos se realmente você deve seguir a onda e botar sua DSLR no Mercado Livre ou valorizá-la ainda mais.

Que tal usarmos as frases que ouvimos por aí?

- “As Mirrorless são muito mais compactas e bem mais leves”

Sim. Quando falamos de corpo. Mas quando falamos de conjunto (lembre-se: você precisa de uma lente, certo?), isso pode ou não ser verdade. Veja estes dois conjuntos:

1) Sensor APS-C: DSLR de entrada x Mirrorless de entrada
Nikon D3400 x Sony Alpha 6500 – montadas com lentes 18-55


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2) Sensor Full-Frame: DSLR de entrada X Mirrorless entrada
Canon 6D x Sony A7II, montadas com suas respectivas lentes 50mm.


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Ops .... Aí podemos ver que nem sempre o sonho do kit “pra levar no bolso” se realiza. Se você topa um sensor menor (APS), realmente vai achar vários modelos de mirrorless mais compactas que suas DSLR comparáveis. Se topar uma câmera que não dê a opção de trocar de lente, ainda vai achar algumas preciosidades como a Fuji X100F, que tem uma lente fixa equivalente à uma 35mm, cabe no bolso do casaco e, de quebra, é um chuchuzinho. Só prepare o bolso, porque ela vai ser mais cara que uma DSLR (tudo tem um preço, meu amigo).

Mas, quando entramos em máquinas mais avançadas, com sensor full-frame, aí o ideal de “botar-no-bolso-do-casaco” fica mais difícil.

No máximo, sua Mirrorless vai caber numa bolsinha-carteiro de couro - aquela que você compra no brechó descolado da Rua Augusta. Mas...Olha só a imagem do post – se ela couber, o mesmo kit DSLR também vai caber. Se coloramos lentes zoom, como uma 24-70, a coisa fica mais estranha ainda:

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“O fotógrafo que fez meu casamento disse que largou sua Canon 5D Mark III e está fazendo tudo com uma Sony A7”

Então. Se você é um “eventeiro”, assim como este que vos escreve, vá com calma. Posso dizer, como dono de uma 6D e uma Sony A7II, que ainda não inventaram uma mirrorless que segure o tranco de um evento com a agilidade de uma DSLR. Pelo seguinte:

BATERIA

A vida útil de uma bateria de uma mirrorless costuma ser irritante. Enquanto a 6D já segurou 1.140 clicks com a mesma bateria, na Sonyzinha A7II o que mais vejo na telinha é “battery exhausted”. Depois de míseros 250 clicks. Isso acontece por alguns motivos:

O viewfinder (visor) é eletrônico (EVF). Ou seja, enquanto a máquina estiver ligada, ela está processando uma imagem – só para que você possa enxergá-la e enquadrá-la;

As baterias são fisicamente menores. Não dá pra ter um corpinho enxuto se você reservar um espação pra botar uma barra de bateria;

VARIEDADE DE LENTES

É certo que as opções de lentes proprietárias pra mirrorless existem em menor quantidade. Ok, o desenho de uma Mirrorless faz com que você consiga adaptar uma gama de lentes absurda - de outras marcas, de outras épocas, de outros formatos -, mas você precisará usar um adaptador para cada tipo de montagem (mount).

Exemplo: os adaptadores mais famosos são os Metabones, com versões para adaptar lentes Canon ou Nikon em uma Mirroless Sony. Porém, por mais que o autofoco e controle de abertura funcionem, não são livres de falhas ou esquisitices. Exemplo: minha Canon 17-40mm dá um erro de leitura no diafragma (diz ser F90) em 50% das vezes que é colocada via adaptador. Aí você precisa desligar a câmera, tirar e botar a lente de novo, esperar o adaptador rodar o motor de foco inteiro do começo ao fim para funcionar. Ctrl+Alt+Del, sabe?

FOCO

No foco automático, as mirrorless estão quase lá – quando se fala de lentes proprietárias. Mas quando estamos com lentes via adaptador (mesmo os adaptadores de 400 dólares), a DSLR ainda é mais rápida. O grande trunfo da mirrorles está quando é necessário usar foco manual ou fazer um ajuste de foco fino: o amigo FOCUS PEAK, disponível ali no viewfinder. É uma função mágica onde as “bordas” do assunto em foco ficam marcadas em cor, para que você saiba visualmente onde está a faixa de foco.

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Alguns dirão que você pode hackear sua DSLR com firmwares como Magic Lantern e usar isso também no LCD – mas não é a mesma coisa do que ter ali no visor.

AGILIDADE GERAL DE MANUSEIO

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Pra mim, é aí que o bicho pega. Do tempo mais longo de ligar da câmera, passando pelo foco, pela questão dos adaptadores e chegando à disposição e quantidade dos botões, a DSLR ainda te dá aquele sentimento de “estou pronta pra clicar”... Que a mirrorless deixa devendo.

Ou seja: provavelmente, o fotografo do seu casamento é o que tem o papel de “criativo” de uma equipe de 3 fotógrafos cobrindo o mesmo evento – e pode apostar que os outros 2 estão com DSLR.

“O visor eletrônico muda a vida cara - você vê a foto como ela vai sair”

Verdade seja dita, o lance de poder ver a foto com todos os settings aplicados (exposição, estilo de cor, WB) realmente ajuda bastante, especialmente em situações de contraluz ou de muita invasão de luz no assunto.

Outra situação é quando você está numa externa, aquele solzão sem sombra, e quer rever uma foto. Conseguir dar o “play” no viewfinder, sem o solzão batendo no display: uma glória.

Mas há que se considerar aí o quão avançado é o EVF (electronic viewfinder) da mirrorless que você está vendo. Em modelos mais antigos (ou mais baratos), existem ainda um “lag”: a imagem é eletrônica, não ótica como na sua DSLR (você já se ligou que seu visor funciona mesmo com a câmera desligada, não é?), o que faz com que possa ocorrer um pequeno atraso entre o que está acontecendo e o que você está vendo no visor. São milésimos de segundo, mas a realidade está sempre passando por um processamento antes de chegar aos seus olhos – quando melhor e mais novo o processador, menos perceptível é este atraso.

Quer fazer um teste? Pegue a mirrorless na mão, olhe com um olho pelo EVF, feche o outro e tente subir uma escada, olhando para os degraus. Se você não tropeçar, tudo ok!

No fim das contas: devo trocar por uma Mirrorless?

Ao fim do dia, minha visão é simples:

Para fotografar street e para viagens, ela vai ser uma ótima companheira. Saiba que vai ter umas chatices aí no meio - um monte de bateria junto e um sensor que suja toda hora.

Mas, na hora de fazer um trabalho, avalie a “pegada” dele antes. Para aquela sessão de produto no estúdio, controlada, com tempo... Ok, vale. Até pra um ensaio no parque, onde o EVF pode te ajudar com situações diferentes de luz.

Mas aquele “eventão correria”: troca lente, foca aqui, foca ali, troca lente de novo, flash.... Faça um carinho na sua DLSR, sorria pra ela e seja feliz.

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